Yastreb Poiska – A Marca da Fronteira

Ao sul dos ermos, na linha jamais demarcada por tratados políticos, ergue-se a Marca da Fronteira. Apesar de nunca ter sido limitado em sua extensão para o norte, Rastov possui uma borda nada imaginária. Onde começa o sopé da montanha, a civilidade termina. Estacas de madeira ostentam crânios e corpos, o vento frio faz dançar o que resta de cabelo e pano, isso, quando algo sobra depois do festim dos corvos ou da ação da neve, que cai durante a maior parte do ano.

Para os homens civilizados, em seus palácios em uma terra de príncipes, envolvidos em suas politicagens covardes, seus banhos quentes, degustações e conforto da seda e do fogo, os vogos são apenas uma lenda. O tipo de monstro que se idealiza para que ninguém tente bancar o herói ao desbravar o norte. Para outros, aqueles que foram forçados a temperar suas vidas sob o fio de uma lâmina, que dependem dos instintos para sobreviver dia após dia, que não se veem livres das maquinações de línguas pérfidas, o perigo é real.

Liderados pelo irresoluto Draclau Reznikov, o Marquês de Ferro, os valentes da Marca defendem uma das únicas passagens entre as montanhas, por onde um grande bando de bárbaros poderia passar. Mesmo não defendendo, ele próprio, ideais religiosos exacerbados, Draclau faz seu serviço com maestria, defendendo o mundo civilizado. Respeitado por seus subordinados, temido por seus inimigos e evitado pelos demais nobres de Rastov, Reznikov é visto como um monstro. Nada mais justo que colocar um monstro para combater seus semelhantes.

Draclau Reznikov

A Marca

A Marca da Fronteira ocupa a região norte de Rastov. Não se espalha por toda fronteira, mas se concentra em uma das poucas passagens grandes o bastante para uma invasão em massa dos vogos. Por se tratar de uma Marca, um território militar e em constante estado de alerta, Draclau tem poder para tomar terras de outros nobres e agregá-las. Isso gera um desconforto. Principalmente em Rastov, uma terra onde todo nobre se considera príncipe de um futuro promissor. Uma figura em especial tem demonstrado descontentamento, mesmo que disfarçado de falsa cortesia, para com estas tomadas emergenciais de recursos, trata-se do príncipe Yago Dobrev, que perdeu parte de seu território e tem tentado trazer de volta a infâmia de Reznikov, para que ele perca poder e influência.

Yastreb Poiska

A Fortaleza

Erguida a mais de cinquenta anos e governada a menos de 15 pelo marquês, a fortaleza da Marca ainda se ergue de forma orgulhosa sobre um imenso platô no início do paredão rochoso das montanhas. Suas muralhas altas, feitas pelos melhores engenheiros do antigo império, resistem aos recorrentes deslizamentos dos períodos de degelo, quando casas nas encostas são desocupadas e moradores realojados, para que não se tenha perdas.

 

Yastreb Poiska, algo como Vigília do Falcão em vihs, é lar de um grupo de ex mercenários bem treinados, os Volkovs. Quando Draclau tomou posse da marca, levou consigo alguns de seus próprios homens e os mercenários. Nos meses que se seguiram até que a fortaleza fosse realmente ocupada e se pudesse estabelecê-la como um local seguro para os poucos mercadores corajosos o bastante para subir as montanhas, os volkovs baixaram suas armas para jurar fidelidade ao Marquês de Ferro. Alguns dizem que eles jamais poderiam servir a apenas um senhor, dada uma maldição antiga rogada sobre o líder fundador do bando. Para os que não gostam da presença dos soldados, este boato fomenta a ideia de que, um dia, os volkovs irão trair Draclau.

Quem lidera a guarnição permanente de Yastreb é Yorek Jsegrundr, o único dos Volkovs originais que ainda permanece vivo e fiel ao marquês. Os demais são, em sua grande maioria, filhos e netos dos que vieram em auxílio na retomada da fortaleza, quando estava arrasada e tomada por bandos de vogos. Eles tentaram por muito tempo impedir o assentamento de Draclau e os primeiros anos de luta serviram apenas para que a autoridade de ferro do vihs fosse assegurada no território hostil.

 

Grigori Reznikov é o castelão local. Guerreiro como seu pai, não costuma exibir tanto suas habilidades em conflitos, servindo mais como um rosto polido e político para os demais nobres de Rastov. O chamam de covarde, à boca miúda, mas muitos já o viram lado a lado de soldados, defendendo uma parede de escudos. Seu auxiliar, um homem magro, alto e albino, que atende pelo nome de Weiss, cuida das armas, passando boa parte do dia nos depósitos da fortaleza, junto dos ratos. Ninguém sabe como Weiss foi capaz de sobreviver por tanto tempo, a despeito de sua condição fragilizada devido ao nascimento pecaminoso. Pelo menos é isso que defende Nikolo, o padre local. A Fortaleza conta com uma pequena capela e o serviço de um secto limitado de sacerdotes leoristas.

As famílias dos volkovs e demais subordinados de Reznikov também dividem espaço dentro das muralhas. Apesar de contarem com a presença de um pequeno grupo de padres, Draclau ainda é um vihs e como tal não dispensa os conselhos de Baba Gloska, que costuma caminhar pelas passagens de Yastreb como se fosse uma verdadeira monarca. Todos a respeitam e mesmo Nikolo sabe a importância de sua presença, já que entre os soldados existem credos diferentes.

A Passagem

Existem poucas formas seguras de se sair dos ermos do norte para o território de Rastov, uma delas é o Valle Lacrimarum. Recebeu este nome quando o próprio império tentou dominar os ermos, mandando centenas de homens para a morte certa no berço da heresia. Formando um caminho entre as montanhas, estreito perante a grandiosidade do ambiente, mas largo o bastante para que uma horda de bárbaros avance, o vale se esgueira por quilômetros ao norte. Nenhum homem jamais foi capaz de traçar seu percurso até o fim e mesmo os que tentaram nunca retornaram com suas descobertas. Não existem sinais de fortalezas vogas pelo caminho e a noite, a única coisa que se pode ver pela torre mais alta de Yastreb são as fogueiras pontilhando a escuridão.

Acredita-se também que a passagem tenha algum significado para os vogos. Não só como uma excelente rota de acesso para seus ataques e pilhagens, o caminho carrega algo de sagrado. Para alguns, seus grandes líderes e heróis do passado estão enterrados em alcovas profundas nos paredões rochosos. Jamais se encontrou qualquer vestígio disso, mas se existem, que tipo de oportunidades poderiam representar para os belicosos homens do norte?

Arte: Domínio Público, The Forge Studios, Tiago Germano e Berto Souza.

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