Histórico

Simbolo geralFalar sobre a condição atual de Belregard não é fácil. Séculos atrás, um homem uniu as castelanias do mundo civilizado sob seu punho firme e liderou-os para retomar o berço da humanidade, corrompido pela Sombra. O que não sabiam é que a Sombra, o Eterno Inimigo, a Antítese do Criador, não habitava uma alcova terrena, mas se escondia por trás do coração de todo mortal. Sendo assim, mesmo que motivados por um senso de justiça divino, aqueles homens e mulheres estavam cegos e entregaramse a dualidade em seu âmago durante a empreitada. Todos ali foram monstros e heróis. Durante três séculos, o Império de Virka uniu os povos e as terras de Belregard.

Há cerca de cinquenta anos este império ruiu, vítima de sua própria corrupção interna. O poder que um dia foi central voltou a ser local. Barões, condes, duques e toda sorte de nobres tentarem se tornar reis de suas terras. Poucos lugares se mantiveram firmes. Alguns ainda passam por turbulências, movimentos comunais, revoltas de vassalos e suseranos. Aqueles que podem, mantém suas terras, procuram aliados e prestam juramentos valorosos. Mais do que nunca, a palavra de um homem é o seu maior bem e a honra pessoal tem um peso muito maior do que moedas em muitos lugares.

O comércio, que uma vez cortava todo o território do mundo civilizado, com caravanas vindas do extremo norte, dos campos de caçadores de vogos até o sul da fronteira, dentro do território de Belghor, onde abundam os tubérculos, já não existe mais. As estradas foram abandonadas e apenas os loucos abandonam a segurança das terras do senhor para se aventurarem em caravanas mal protegidas. Os desesperados, ou sem escolha, tentam ganhar a vida como bandidos, ocupando as velhas fortalezas imperiais e proclamando-se senhores de uma terra de ninguém.

Apesar de tudo, o Tribunal do Supremo Ofício ainda se apresenta como uma instituição, com base na castelania de Birman, que pretende dar coesão aos anseios e temores humanos. Dividindo sua doutrina em três principais linhas filosóficas, os padres, prelados, bispos e oradores espalham-se por Belregard. A despeito das condições precárias das viagens neste mundo, tomado pela idade das trevas, a ordem eclesiástica faz o possível para manter uma boa comunicação entre seus membros. Em regiões isoladas, esta se mostra uma tarefa digna de heróis. Hoje, a forma mais comum de comércio é o escambo.

Poucos locais se mantiveram ativos com relação a estas atividades. Dalanor, Varning, Parlouma, a parte central de Belregard ainda pode-se considerar simpática as moedas – estas que podem facilmente ser falsificadas e por isso a cunhagem dos tempos do Império é extremamente valorizada, por ser de confiança. Os preços padronizados de alimentos, hospedagem e bens costumam ser cotados em peças de cobre. A prata é um luxo e o ouro reservado apenas aos reis em suas próprias trocas com outros lordes.

Da história antiga, anterior a Era da Conquista, sabe-se muito pouco. O que o povo humilde conhece chegou aos seus ouvidos através das ladainhas e exemplas de sacerdotes. Eles sabem sobre a Era da Vergonha, quando o Criador decidiu dar a luz divina aos Homens para que estes limpassem o mundo das primeiras crianças do Pai, os Selvagens. Eles sabem sobre nomes como Morovan, o Velho, primeiro profeta do Criador, e mesmo Vlakin III, o rei de Virka que firmou o Império. Alec, Lazlo e Leoric também são figuras populares, do saber comum e mundano, os três Puros, escolhidos pelo próprio Pai para caminharem ao seu lado quando Ele desceu ao mundo dos homens para lhes guiar.

O conhecimento específico fica reservado ao clero e aos poucos intelectuais do mundo. Detalhes sobre reis, reinos e acontecimentos podem ser encontrados em antigos tomos e mesmo o saber proibido, apócrifo dos estudos das ordens monásticas, costuma ser preservado por certos grupos e pessoas. Os cultos à Sombra Viva tem se tornado cada vez mais comuns e por mais que os otimistas chamem esta de “Era da Luz”, é difícil acreditar em qualquer destino brando quando preces e súplicas não são atendidas, quando se olha para o céu em busca de um conforto capaz de alentar o mais feroz dos corações e nada se encontra. Riram e queimaram o louco Rastramus quando ele cantou sua profecia durante a posse de Vlakin VIII, o último imperador, mas tem sido difícil negar a verdade naquela loucura. Uma verdade que incomoda, que fragiliza e trás um sentimento de desespero… Deus está morto!

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